
De virada, sem deixar dúvidas, o Verdão engoliu o Atlético no Palestra e se manteve firme na ponta do campeonato. Numa rodada onde os nossos quatro perseguidores venceram, levar os três pontos foi fundamental para manter o Palmeiras na ponta da tabela, e dar mais força moral ainda para o grupo, que agora tem dez rodadas para se manter na frente e levantar o caneco.
O Atlético entrou desfalcado de três baladeiros que encheram a cara de cachaça na madrugada anterior ao jogo e chegaram ao hotel às cinco da manhã, sendo um deles o Lenilson, o jogador mais técnico do time. O Atlético está sem presidente, e o tampão, o presidente do Conselho, pintou-se de amarelo, e "saiu de férias". Um clube sem comando, à deriva. Assim, o jogo, que já seria fácil, ficou mais ainda.
Com menos de dez minutos o Palmeiras já havia perdido duas chances claras de gol, frente a frente, com Kleber e Alex Mineiro. Parecia realmente tranqüilo. Alex pegou um lindo sem-pulo da meia-lua, e o goleiro se esticou todo para espalmar. O Galo estava todo bagunçado, num 5-0-5 que nos dava um enorme espaço na meiúca, e os gols sairiam a qualquer momento - era o que parecia. Mas não foi bem assim.
Aos poucos, o time deles foi se acertando na marcação, e as nossas chances pararam de aparecer. Mas eles continuavam sem o menor poder ofensivo. Até que acharam um gol. Mauricio perdeu a bola infantilmente para Marques, que foi pro fundo e tocou pra trás, pra Renan Oliveira, que vinha na corrida e só rolou no contrapé de Marcos. A defesa, que estava havia seis jogos sem tomar gol, levou um numa falha individual. Que não foi tão individual assim, convenhamos: o passe do Pierre pro Mauricio foi quadradão. Não justifica a falha do menino, mas que atrapalhou, atrapalhou.
Logo em seguida, Marques tratou de reverter o bom lance do gol e meteu a mão na bola sem a menor necessidade. Como já tinha amarelo, levou o vermelho, e deixou o Galo sem a menor chance de fazer o segundo, nem contando com erros de nossa defesa, já que era o único jogador com alguma lucidez do time mineiro.
Assim, o Palmeiras foi pra pressão. E conseguiu o empate aos 43, numa jogada que teve a participação dos dois laterais. Elder Granja fez a jogada pela direita e enfiou para Kleber, que foi ao fundo. O gladiador tentou o cruzamento, a bola espirrou e voltou para Alex Mineiro, que tocou no Elder e se deslocou para receber no meio. Rapidamente, virou a jogada para a esquerda, numa linda assistência para Leandro, que apareceu livre. Num toque preciso, de chapa, o lateral meteu no ângulo e empatou.
Para o segundo tempo, Luxa armou a arapuca: tirou Martinez e ficou com apenas dois zagueiros. Tirou Pierre, que ainda não se achou no time. Colocou Evandro e Leo Lima. O jogo passou a ficar mais pela direita, com Elder Granja sendo a válvula de escape, e as jogadas acabavam sempre com chutes de média distância de Leo Lima e Diego Souza. Foi quando os mineiros caíram como patinhos: abriram César Prates para marcar as descidas de Elder Granja. Luxa sacou Elder e colocou Denilson aberto pela esquerda e matou o jogo.
E contou com uma tarde absolutamente inspirada de Denilson. Em sua primeira jogada, humilhou o marcador numa jogada de velocidade pela esquerda, e cruzou de trivela no peito de Alex Mineiro. O nove-nove, que já havia perdido uma chance parecidíssima três minutos antes, dessa vez matou pro lado certo, tirando do zagueiro, e tocou cruzado, sem chances pra Juninho. O Palestra lotado explodia com a virada do Verdão, e Denilson vibrou como um menino.
O Atlético então passou a vir com tudo pra cima, e chegou a criar algumas chances na base do vamulá. Mas já era um time exposto, e o terceiro foi questão de tempo. E foi um prêmio a Denilson, que fez outra bela jogada de arrancada contra os pesados zagueiros atleticanos, e tocou para Kleber, que chutou para defesa parcial de Juninho. A bola ficou morta a dois palmos da linha e Denilson, na corrida, fuzilou.
Foi uma grande partida. Além dos gols, o Palmeiras ainda mandou duas na trave, com Alex Mineiro e Leo Lima, e Juninho foi o melhor jogador do Galo. Luxa estava numa tarde inspirada e moeu o pobre Marcelo Oliveira, que já entrou com o time esbagaçado moralmente. Foi um massacre, e 3x1 ficou barato pro Atlético. O Palmeiras mostrou que entrou na reta final do campeonato disposto a não largar mais a liderança, e bota pressão nos adversários. Com muita competência.
Assim como no jogo contra os bambis, no Paulista, a torcida começou a cantar
"tá chegando a hora". Quando a massa sente o momento, é porque realmente o negócio tá pra acontecer.
Atuações:
Marcos: pouco exigido, apareceu bem quando preciso. 8
Gustavo: como toda a defesa, não teve muito trabalho. 7,5
Mauricio: teve sua prova de fogo. Recebeu um passe torto de Pierre, se atrapalhou e foi fazer o óbvio: sair pelo lado da lateral. Como todo zagueiro, fez isso de forma lenta, telegrafando o movimento, Marques percebeu e deu o bote. Se abateu no momento, mas se recuperou com a ajuda dos companheiros. Precisa de força, vou fazer a minha parte: 5
Martinez: jogou apenas o primeiro tempo, e pouco apareceu. 7
Elder: andava apagado, mas dessa vez fez boas intervenções pelo seu setor. Decisivo no gol de empate e no olé tático de Luxa no segundo tempo. 8
Pierre: ainda não se achou com Sandro Silva. 5
Sandro Silva: ainda não se achou com Pierre. 5
Diego Souza: foi mais ou menos. Até participou de algumas boas jogadas, mas sem brilho como em partidas anteriores. 7
Leandro: fez um primeiro tempo muito ruim, disperso, parecia o Leandro de 2007. Já ouvia algumas vaias, quando recebeu o passe com açúcar de Alex Mineiro e fez o golaço. Partiu em direção às arquibancadas com a mão no ouvido, perguntando cadê as vaias. Não faça mais isso, Leandro. 3
Kleber: merecia seu golzinho, jogou demais. Me fez pensar se a pedida do Dínamo, de 7 milhões, não valeria a pena. Valer, ele vale, o problema é que não dá pra gastar tudo isso. Uma pena que não deixou o dele ontem. 9
Alex Mineiro: grande atuação. Apesar de dois gols perdidos, deixou um, fez uma grande assistência e ainda deu espetáculo. 9,5
Evandro: ótima entrada pela direita, ocupou o espaço do Elder depois da entrada do Denilson. 8
Leo Lima: lembrou o volante do Paulistão, maestro do time, jogou muito. E ainda rendeu boas risadas ao dar um passe de peito/ombro para o lado, que deixou Luxa doidão. 8,5
Denilson du Soléil: acabou com o jogo, com jogadas objetivas. Sua velocidade encaixou com o pesado time do Galo, já com um a menos. Judiou daquele zagueiro cabeçudo que tem o cabelo de quem acabou de acordar. E vibrou como quem está realmente comprometido. 10
Luxemburgo: esse é o Luxa dos 500 mil cruzeiros por mês. Assim, vale. 10.