
Num jogo com duas etapas absolutamentes distintas, o Palmeiras enfiou um chocolate no Cruzeiro, líder do campeonato, venceu por 5x2 e fica a apenas 3 pontos da liderança, esperando ainda a conclusão da rodada no próximo sábado. O jogo parecia tomar um rumo, mas um lance mudou tudo e definiu a goleada alviverde.
Luxemburgo surpreendeu e saiu com Diego Souza no banco, escalando Martinez em seu lugar para dar um pouco mais de consistência à marcação no meio. Desta forma, Valdivia buscava troca de passes constantemente com os laterais e com os próprios volantes, que se revezavam na tarefa de auxiliar o chileno, mas as jogadas eram confusas e não assustavam o Cruzeiro.
O time mineiro, por sua vez, encontrava bastante espaço apesar da tentativa de Luxa. Nosso trio de volantes não conseguiu fechar a intermediária, e Marcinho Porpeta e Guilherme conseguiam armar ataques perigosos ao gol de Marcos. O jogo estava muito mais para o lado deles.
E numa dessas jogadas, aos 16, Heber Roberto Lopes nos operou e marcou pênalti num chute de Marcinho que bateu no braço de Henrique, de forma absolutamente fortuita. Guilherme bateu no meio e fez, dando a impressão que a má fase se instalaria de vez no Palestra, principalmente porque o time não reagiu de imediato com gostaríamos. Logo na seqüência, Marcos salvou o time de levar o segundo gol que fatalmente faria a vaca ir para o brejo, num chute forte de Ramires de dentro da área.
Foi quando o talento individual do Mago se fez presente. Aos 27, ele recebeu na entrada da área e escorou para o chute de Léo Lima, que vinha na corrida. O arremate saiu forte mas torto. Com extrema habilidade o chileno amorteceu a bola, e a conduziu em direção à meta. Poderia ter feito o gol, mas percebeu que seria tocado pelo zagueiro Tiago Martinelli e arriscou, preferindo o pênalti. Heber, que estava meio na dívida pelo pênalti errado que marcou contra o Palmeiras, não titubeou: botou na cal e expulsou o zagueiro. Méritos totais para o Mago. Alex Mineiro, com paradinha, como registramos no treino de sábado, guardou e empatou.
A jogada mudou completamente o panorama da partida. Adilson Batista teve que rearrumar a defesa, e sacou Marcinho Porpeta. O espaço dado serviu para Luxa sacar um dos três volantes. Optou por Léo Lima, e colocou em campo Diego Souza. Os 30 minutos no banco fizeram o craque de 10 milhões entrar muito aceso no jogo, mas a má fase continuou o perseguindo. No fim do primeiro tempo, errou uma cabeçada sozinho, dentro da pequena área. E virou mesmo 1x1.
O Cruzeiro voltou para o segundo tempo disposto a apenas segurar o empate, tentando apenas contra-ataques esporádicos. Adilson é um técnico novo e ainda vai aprender que não se faz isso com o Palmeiras de Luxa no Palestra. O time soube aproveitar o espaço no gramado ampliado do Palestra, e surrou impiedosamente o time mineiro. O gol da virada saiu logo, e com a participação decisiva de Diego Souza, que escorou um cruzamento preciso de Leandro para trás, que Valdívia fuzilou no canto esquerdo, um golaço. Essa cabeçada para trás de Diego Souza está virando sua marca registrada no time do Palmeiras de 2008.
Mas ele queria o dele, e sua luta foi recompensada: Valdivia recebeu de Martinez e devolveu o presente do gol anterior. Diego Souza matou e bateu pro gol, deu sorte que a bola desviou no zagueiro e morreu no cantinho de Fabio. Aos 22 minutos a partida parecia decidida, diante da postura apática do Cruzeiro.
Mas ainda teríamos mais emoção. Num chute de longe de Charles, nosso Marcão tomou um frangaço. O Cruzeiro não sabia o que fazer com a bola e o chute de longe foi mais pra se livrar dela do que outra coisa. A garoa fina deixou a bola lisa, e Marcão, que só assistiu o segundo tempo, engoliu um frango clássico e ficou só com as penas na mão. Levantou o braço esquerdo e bateu no peito, assumindo a falha. Foi aplaudido pelos 6 mil parmeristas. Isso é que é ídolo.
E foi reverenciado também pelos companheiros. Mesmo depois das declarações contundentes do final de semana, Marcos recebeu a homenagem de Henrique, que marcou o quarto gol dois minutos depois. Mais um cruzamento preciso de Leandro, que o zagueiro aproveitou da marca do pênalti e cabeceou com muita força, no ângulo de Fabio. Em seguida, atravessou o campo e correu em direção a Marcos, para abraçá-lo.

Fatura liquidada, houve tempo para mais dois: Pierre brigou com Fabricio na lateral do campo e ganhou, conduziu e cruzou rasteira, lembrando Cesar Sampaio. Alex Mineiro, lembrando Evair, esticou a perna e meteu pra dentro, fechando a goleada de 5x2 que lembrou o time de 93, que há 15 anos nos brindou com uma das maiores partidas da História da Sociedade Esportiva Palmeiras. O nove-nove ainda podia ter feito o sexto, mas sofreu pênalti de Fabio. Heber mandou seguir, e ficou nisso.
Muito importante ressaltar que a partida mudou completamente de figura com a expulsão de Tiago Martinelli. Enquanto teve 11 jogadores, o Cruzeiro dominou o Palmeiras, e a jogada que inverteu o panorama do jogo foi obra do talento de Valdivia. Podia ter dado tudo errado e a chance de estarmos muito bravos lamentando uma derrota em casa foi grande. Estranha a postura do Cruzeiro, que largou o jogo de mão. Não temos nada com isso e fizemos a nossa parte, para fechar uma semana espetacular. Por enquanto, quinto lugar, comboiando os líderes. O objetivo passa a ser conquistar a liderança em cinco ou seis rodadas, pra não largar mais até o fim do ano.
Atuações:
Marcos: duas grandes defesas, e um frangaço. Uma das defesas foi decisiva para o resultado do jogo. O frango, não. E ainda bateu no peito. Querem saber? DEZ PRO MARCÃO!
Elder: mais uma vez, muito discreto. Ok, prefiro um lateral discreto do que um que me chame a atenção todo jogo de tanta burrada. 6
Gustavo: levou um currupio do Porpeta no início do jogo que deu vergonha. Depois, se achou no jogo. 6,5
Henrique: também foi envolvido no início do jogo, mas depois mostrou que não sentiu a má atuação na seleção e ainda deixou o dele. A homenagem ao Marcos foi legal. 8
Leandro: excelente, estava com o pé calibrado. Precisa voltar a ser regular. 9
Pierre: vacilante no início, tirou tudo do meio do primeiro tempo pra frente, sendo talvez um dos responsáveis pela apatia cruzeirense. Travou um duelo interessante com Fabricio. No final, a jogada do quinto gol foi magnífica. 9
Leo Lima: fazia uma partida mediana quando foi sacrificado. 6,5
Martinez: como todo o time, mal até a jogada do pênalti em Valdivia. Depois cresceu. 6,5
Valdivia: jogadas decisivas, com inteligência e talento. Um golaço da entrada da área, passes precisos e objetivos, hoje foi o Mago que pagamos ingresso pra ver. 9,5
Kleber: era o melhor do time no início, com bastante vontade, apesar do individualismo. Depois, só bateu carimbo. 6,5
Alex Mineiro: mais uma partida correta. Artilheiro vive de gols, ele fez dois, além de buscar jogo, abrir espaços e marcar saída de bola. Já é o vice-artilheiro do campeonato. 9
Diego Souza: parece que tirou a zica. depois de um início ruim, desencantou no segundo tempo e desabafou com a torcida na comemoração - tirou a camisa e levou cartão de forma infantil. Mas está desculpado, que tenha sido o início da redenção. 8,5
Fabinho e
Wendel: mal deu pra ver que entraram. S/N
Luxa: ia tomando um vareio do Adilson, até que o novato lhe deu um presente recuando o tme. Luxa não perdoou e se salvou. 6,5