
Num jogo bastante movimentado, o Verdão empatou com o Vasco por 2x2 depois de estar à frente no placar por duas vezes, e manteve-se no G4, embora tenha perdido uma posição. Na próxima rodada, inverte-se a situação, e nossos concorrentes jogam como visitantes, enquanto nós pegamos o virtual rebaixado Juventude no caldeirão do Palestra. A tendência é solidificar ainda mais a posição na zona da Libertadores, deixando para Grêmio, Cruzeiro e até o Flamengo a briga pela quarta vaga, já que o Santos vem mostrando consistência nesta fase final. Só dependemos de nossos esforços - e há quem diga que é aí que mora o perigo.
Estivemos no Boleiros Bar, na agradabilíssima companhia de dezenas de parmeristas, o que complicou um pouco a observação do jogo em si. Mas mesmo assim vai ser possível dar alguns pitacos.
O jogo foi movimentadíssimo até os 15 do segundo tempo, com ambas as equipes aproveitando o deserto que aparecia no meio-campo. Tanto Caio e Valdívia do nosso lado, como Conca do lado deles, jogaram bastante avançados, cabendo aos volantes a tarefa de tentar alçar a bola aos talentosos homens de criação. O Vasco ainda contou com o ótimo Wagner Diniz para auxiliar nesta tarefa, e o argentino foi o homem mais perigoso do jogo o tempo todo. Não fossem as boas presenças de Wendel e Makelele na cobertura, o estrago poderia ter sido grande.
No final, os dois times cansaram, e o jogo ficou franco, embora lento. A partida ganhou um tempero especial coma entrada de Romário, que no final de sua carreira teve o prazer de encontrar pela frente Diego Cavalieri. Prazer, Diego! O melhor goleiro do campeonato, a despeito de ter tomado dois gols de fora - indefensáveis, no ângulo - fez mais uma partida espetacular.
Rodrigão enfim pegou no tranco. Um belo gol, que teve início na jogada de Luiz Henrique pela direita, que girou e cruzou meio sem jeito. Valdivia, com extrema habilidade, amorteceu a bola e, lembrando o maor camisa 10 de nossa história, serviu a Rodrigão, que encheu o pé. Um golaço que, pelo desenho da jogada, lembrou muito o quarto gol do Brasil contra a Itália na Copa de 70 (sacada do comentarista Claudio Zaidan, da Rádio Bandeirantes).
Valdivia foi muito marcado. Apareceu em lances isolados com a categoria de sempre, como no lance do segundo gol. Mas novamente apanhou bastante. O árbitro paranaense Evandro Rogério Roman deixou o jogo seguir na maioria das jogadas - para os dois lados - e quando marcava a falta, preferiu economizar nos cartões, o que fez o jogo seguir pegado o tempo todo. Valdivia já deu mostras de que estava no seu limite quando ostensivamente tirou Thiaguinho de sua marcação com um safanão. Percebendo que o barril estava prestes a explodir, o Vasco persistiu até conseguir: já nos descontos, ao ter suas madeixas puxadas, Valdivia novamente revidou de forma ostensiva - e sobrou o cartão vermelho para ele. A imprensa vai deitar e rolar nas imagens, a palavra "soco" já está sendo usada a torto e a direito, e dificilmente
El Mago vai escapar de uma punição de pelo menos 3 jogos.
Minha opinião pessoal: soco é o que Gavilán deu em Valdivia, covarde, por trás. Um golpe em que, se houvesse uma expressão acompanhando, seria "tome, filho da p...". Valdivia, nos dois lances em que se desvencilhava-se da marcação, seria "sai, c...!". Que foi agressão, foi, mas são jogadas absolutamente distintas e a agressividade dos dois lances não podem ser comparadas. Mas como eu não sou juiz do STJD, e como tem o Flamengo surgindo como interessado na jogada, fiquemos bastante atentos. Com relação à situação de Valdivia, internamente, eu faria o seguinte: lhe daria um belo esporro, na frente do grupo. Mas aqui, no íntimo, eu o perdoaria. No fundo, considero suas reações absolutamente compreensíveis, principalmente pela complacência do árbitro no decorrer do jogo.
Atuações:Diego Cavalieri: simplesmente o melhor do país. 9
Paulo Sérgio: um cone não teria feito muito diferente. 4,5
Gustavo: um gol de cabeça, e algumas boas aparições. 7,5
Dininho: pegou uma linha do Vasco num dia inspirado, e foi envolvido. Vida de zagueiro. 6
Valmir: nosso Lucinho ainda não acertou aquele cruzamento. Pelo menos não desmaiou. 5,5
Wendel: muito recuado, deu espaço para a criação do Vasco. Mas fez seu papel congestionando a entrada da área. 6,5
Makelele: arriscou algumas subidas, principalmente após a entrada de Martinez. Ainda falta aquele capricho no último toque. 7
Caio: mais um gol saiu de seus pés. Mas abusou das tentativas de gol olímpico. Quase acertou um chutaço de fora. Muito marcado. 7,5
Valdívia: sofreu com a marcação, uma jogada divina, outras tantas geniais, e um destempero fatal. Na média, 7.
Luiz Henrique: Foi neutralizado em quase todas as jogadas, na que deu mais ou menos certo, contou coma categoria de Valdívia que fez mágica para dominar seu passe. Gol. Pela sorte, 7.
Rodrigão: abusou das tentativas de jogadas de efeito. Precisa jogar mais arroz com feijão - deve ter sido a empolgação pelo belo gol. Centroavante que deixa o dele tem que ter nota boa. 8. Deu lugar para Luís Maluco que pouco apareceu.
Martinez entrou no lugar de Luiz Henrique e não conseguiu preencher o espaço vazio. Entrou no ritmo do jogo quando já faltava pouco tempo. 6,5
Leandro entrou no lugar de Valmir e conseguiu segurar Wagner Diniz. 6,5
Caio Junior fez o óbvio. Melhor assim do que inventar. 7